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tranquerias, badulaques & afins...

Cresci numa casa onde sempre havia um quartinho de despejo. Sim, vcs hão de dizer, "mas quartinhos de despejo toda gente os tem". Mas não o quartinho do meu PAI - esse, nunca foi um quartinho "standard", se podemos dizer assim. Ele sempre foi MUUUUITO povoado, por peças de baterias automotivas, outros tantos voltímetros, e amperímetros, e aparelhos de soldas, e rádios de carro, e ferramentas, e furadeiras sucateadas, e toca-discos do tempo do onça, e pregos, parafusos, e aparelhos que nunca soube qual a função, e acho que nunca saberei - pelo menos não nessa vida. E duvido que na próxima, porque até lá, a a tecnologia há de ter evoluído tanto, que tais peças, as de hoje, talvez se encontrem em museus - o que acho pouco provável. Passei a infância brincando com caixas e separadores de baterias - o que faz de mim uma das poucas mulheres do planeta que entende o que quer dizer "trocar a bateria do carro por outra de amperagem superior" (e isso aconteceu HOJE, precisamente...)

Pois bem. Moro numa casa onde meu pai viveu por anos. Ele se foi, mudou de cidade, eu me mudei pra cá, mas o tal quartinho...ficou aqui, como herança adiantada. Ele sempre me exortou sobre "não se desfaça de nada que existe lá dentro", e eu comprei a idéia. Moro aqui nos últimos quatro anos, e o tal quartinho lá, impávido, imexido, imexível. Até que, ontem, minha namorada teve uma síndrome - VAMOS ACABAR COM ISSO! E lá fui eu... tirando tudo de lá de dentro, pouco a pouco o passado vinha À tona... me senti um pouco a menina que brincava com toda a sorte de  sucatas. De lá saíram dois ventiladores de teto (NUUUNCA usados), uns doze tapetes de carro,  câmaras e mais câmaras de ar, dois toca discos pré-colombianos, sete (sim, sete) rádios e toca-fitas de carro, um sem-número de aparelhos esquisitíssimos, pregos, parafusos, amperímetros, voltímetros, o chão foi aos poucos sendo tomado de porcas e arruelas, um, ar-condicionado de vinte anos de idade - na caixa - e lixo, muito, MUITO lixo. Até uma múmia (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) de gambá saiu de lá de dentro... e fui tirando aquilo tudo, desobstruindo a energia CHI parada por tantos anos naquele canto. Separei um tanto de coisas (que não jogaria fora, por motivos óbvios - como os rádios de carro, p.e.), e vi que havia mesmo era uma MONTANHA de coisas para ser despachada... pensei: e agora? Se antes eu achava que colocar tudo na lixeira, para a coleta seletiva de lixo recolher, vi que seria impossível. Era muita coisa mesmo. Eu, que nunca na vida pensei em alugar uma caçamba de entulhos, acabei concluindo que essa seria a atitude mais sensata a se tomar. Pois bem - por módicos 55 dinheiros, eu a teria diante de meu portão,  por dez dias. Minha irmã, que "semi-participou" do processo, ainda tentou barganhar: " mas eu só precisarei dela por uma hora, no máximo". Retrucaram: isso não importa, senhora. Para nós, o trabalho é o mesmo, hoje, amanhã, ou daqui a dez dias. Deixamos na sua porta, e depois vamos buscar."  Assim foi. Quando vi o tal caminhão "despejando" a caçamba na minha porta, pude observar como a dita-cuja é grande. E, é claro, fui tomada por um acesso de riso - imagine se meu pai acompanha uma cena dessas, eu alugando uma caçamba pra botar fora as coisas DELE - tão importantes que estão esquecidas, há anos.

O processo foi rápido. Em meia hora, tudo estava lá dentro - cadeiras enferrujadas, latas de tinta vencidas, entre outras tralhas - até um toca discos arruinado. Meia caçamba de tralhas, sim senhor. Me senti um pouco ridícula - fiquei imaginando os vizinhos vendo o conteúdo da tal caçamba e pensando - Céus! Como alguém tem isso tudo...dentro de casa?

Voltei para dentro com a sensação de dever cumprido. Fiquei de molho no chuveiro, me pus cheirosa novamente, e fui tomar meu chá no final da tarde, finíssima com minhas canecas de louça azul. Comecei a ouvir barulhos, muitos barulhos na frente de casa. Minha irmâ chegou da rua e disse: "tem um cara de kombi recolhendo coisas na caçamba!" Meia hora depois, a kombi se foi, sacolejando pelas ruas. Pitonisei: "vou chegar lá fora, e a caçamba vai estar vazia". Como vou entrgar uma caçamba vazia para o cara que a  deixou aqui??? Fui lá fora, e BINGO: ele levou tudo. Ou quase tudo. Ficaram apenas um tapete, uma colcha velha, uns vasinhos sem importância. O que é que eu faço?

Enquanto isso, o cara da kombi deve estar despejando tudo em seu próprio quartinho de despejo...

 

:: Postado por Kajá às 08h16 PM
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...ainda o aniversário...

Happy

:: Postado por Kajá às 03h49 PM
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Feliz aniversário...

É, feliz aniversário. Pra nós. Um ano de descobertas, um ano de muito carinho, amor, compreensão, sem brigas, sem desavenças, e de muito respeito mútuo. Tem coisa melhor que fazer aniversário de namoro? Duvido.

Esse ursinho aqui, eu roubei da Kizy... ah, me perdoa, mas é que tem tudo a ver com meu estado de espírito, no dia de hoje! E quer saber do melhor? Estamos comemorando juntinhas... pra quem tem um amor "marinheiro" como o meu, isso é um presente divino. Saímos pra almoçar, ela deu um pití no restaurante (hehehehe, não queria comer aquela comida "chique" - sim, porque quem trabalha na hotelaria come "comida chique" todo santo dia...)... sabem o que ela pediu no restaurante "chique"? Arroz, feijão, salada e... OMELETE! Não é linda a minha namorada??? Circle Of Hearts

 

Ando sumida daqui, perdoem, queridos leitores. As palavras continuam me escapando, e estou me sentindo uma escrevinhadora meio burra, então estou poupando a todos vocês de minhas bobagens... mas eu tinha que registrar essa data aqui.  E reiterar minha declaração de amor, em público:

 

Kakat, eu te amo.





:: Postado por Kajá às 03h42 PM
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